sábado, 30 de maio de 2009

Comendo o próprio rabo .


Ainda é cedo e a vida escurece atrás dele.
A cada passo morre em mim mais e mais da garota que tinha ficado feliz com o brigadeiro de colher.
Adoro camas que não são camas e ele tem uma dessas. Minha vontade é deitar ali e fazer alguma graça, minha vontade é que ele tire meus sapatinhos de boneca com calma e beije meus pés, afinal: pintei minhas unhas de vermelho só para ele .
Mas ele não quer saber dos meus pés, dos meus olhos deslumbrados com aquela vida de cinema, do meu dente sujo de chocolate ou da minha garganta que arde. Ele quer mergulhar em mim, ele quer entrar em mim, ele quer me descobrir a fundo. Mas ele quer tudo isso sem sequer tocar em mim.
Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube.
Tenho vontade de perguntar baixinho: você não gosta nem um pouquinho de mim? Nem sequer um tiquinho? Olha só: eu tenho os dedinhos do pé bem estranhos. Eles não são absurdamente merecedores de amor? Mas ele não quer perder tempo com dedinhos de pé, pintinhas brancas ou antebraços molinhos. Ele quer morar em mim mas está cagando para todas as belezas da casa. Algumas horas depois sou devolvida às ruas. Faço o mesmo trajeto mas agora voltando, mas agora sozinha.
Ainda é cedo e eu preciso de amor. Só um pouquinho de amor. Não posso dormir sem paz no coração. Quero que ele veja o quanto mudei por causa dele, na esperança de que seu riso congelado saia do automático e eu ganhe um único sorriso verdadeiro .
Mais uma vez me pergunto como é mesmo que se pode viver ou respirar em meio a tantas pessoas e intenções mortas. Mas então ele morreu? Ufa! Doeu, mas doeu pela última vez.
vida é só um pouquinho boa, as pessoas são só um pouquinho bonitas e as músicas duram apenas algumas notas. Sou inteira um pseudo algo, desejo pseudo coisas e quase sei para onde ir agora.
Só sei que perco. Mas não posso terminar mais um dia sem amor, não posso. Pago o que for, pego a fila que for, encaro o que for. O lugar está cheio, as pessoas vazias. O lugar está quente, as pessoas frias. O lugar está insuportável, mas as pessoas juram que são legais. Sugo ali, num cantinho qualquer acompanhada de qualquer pessoa, o que pode restar de bom na alma de alguém. Mas ele não quer saber de canudinhos, desentupidores de pia e súplicas por um final ao menos justo. Eu sou um saco com restos de pano preto, achocolatados, plantinhas e tinta vermelha. E ele quer apenas furar o saco, para que eu estoure para bem longe dali. Sem dar nenhum trabalho. As ruas não existem, não existe mais o que perder, não existe amor em lugar nenhum. Acho que finalmente está ficando tarde demais.

Tati Bernardi ;D

Algumas loucuras antes de partir .

Este texto não tem pretensão literária, é apenas uma cartinha de despedida simples e meio jogada, uma ruptura breve e necessária entre nós. Eu só queria dizer, antes de amarrar fitinhas do Bonfim na mala, antes do frio gostoso na barriga, antes do avião me projetar pra trás avisando que a hora tão esperada chegou, que eu continuo a mesma, ainda que completamente diferente. Eu continuo deixando tudo pra última hora, eu continuo preconceituosa demais e mal-humorada além da conta, eu continuo com medo de tudo e de todos ainda que isso, por alguma razão louca, me faça amar ainda mais tudo e todos. Mas eu também descobri coisas deliciosas a meu respeito como, por exemplo, que eu assusto todo mundo com o meu espelho de Palas Atenas. Uma pessoa superficial e de mentira jamais agüentaria ficar perto de mim, quer coisa melhor que isso? Afasto as sombras ainda que muitas vezes me sobre a solidão, afinal, são poucas as pessoas realmente vivas. Descobri, depois de muito meditar, ler, fazer yoga, estudar mitologia, fazer terapia e tomar passe, que o que realmente faz uma mulher feliz e plena é a escova progressiva. Meu cabelo está lindo, liso, brilhante e macio. Sim, eu também posso ser apenas fútil e isso é libertador. Gente, meu cabelo tá um arraso! Eu ainda choro do nada porque viver é um drama, mas sabe o que eu descobri? Que essa vida dramática é muito engraçada. Semana passada eu e algumas amigas rimos a noite inteira e celebramos o fato de sermos únicas, de sermos sozinhas, de sermos tão parecidas e de sermos umas das outras. Eu descobri que a melhor coisa do mundo são os amigos e por isso queria dizer: Laah,Wal, Kalli, Erica , Juuh, Maah, Naai, Mari , Tai , Uriks e Bia eu amo vocês pra cacete.
Queria dizer pra vocês que eu enchi quatro sacos de coisas velhas e mortas e joguei no lixo .
Gente, tá na hora da gente ser muito feliz. Primeiro porque somos de verdade, depois porque somos filhos de Deus e, pra terminar, porque existe escova progressiva! Enquanto eu não volto, deixo vocês com o filme “Eclipse”, o livro é melhor, mas Robert Pattinson vale a pena mesmo vampiresco. Deixo vocês com um fim de tarde na praça principal, o lugar onde sempre sou feliz porque sempre dá pra ser feliz. Deixo vocês com os quadros da Fer Veriga, com a voz da Sandy e da Vanessa Da Mata, com a frase maravilhosa de Vinícius, “a vida só se dá pra quem se deu”, e com a sopa de pedaçinhos de carne nas madrugadas. Tem ainda a senhorinha de setenta anos que fez o curso de strip da Fátima Moura, a garotinha do farol que esperou a mãe virar de costas pra me dizer baixinho “Não quero dinheiro não, mas me traz uma boneca?”, tem o Ronaldinho que consegue ser lindo com tanta feiúra não porque é rico, mas porque é criança, e tem, claro Laah , que não tem vergonha de ficar histérica sem amor, assim como a dona ( EU). Meu peito está cheio de curiosidade e alegria. É possível sim amar a vida, ainda que qualquer amor tenha seus dias de crise. E eu só queria deixar todos vocês, com um pedaço de mim. Pode pegar sem cerimônia, alma quanto mais a gente dá, mais a gente tem.
Texto da Tati Bernardi com adaptações e manias minhas ;)

é niiier ?

Todas as meninas são educadas a acreditar que o amor é lindo, perfeito, blábláblá, e todas aquelas que forem boazinhas terminarão suas vidinhas hipócritas ao lado do seu príncipe encantado, como em fábulas e em contos de fada. Que irônico tudo isso :T mas com o tempo a gente realmente entende e aceita querendo ou não, que vamos sofrer muito ao longo da vida, que vamos aprender muito com nossos relacionamentos, tanto os bons quanto os ruins.. Sim, essas coisas vão se tornar aceitáveis, ou melhor, admissíveis..É meio que automático. Assim, poderemos aproveitar nossos momentos, sem nos prejudicarmos tanto :] .Tudo bem, enquanto isso, vamos sofrer e chorar demais por alguém que provavelmente vai esnobar, brincar com o que sentimos, fingir que não acredita no nosso amor, ou então, declarar que 'o problema é ele' -respira- Mas calma, a gente acaba se acostumando e com o passar do tempo vamos aprender a RIR disso. E quem sabe, aprender a fazer o mesmo com eles.(y

sexta-feira, 8 de maio de 2009

peraa que eu lembro o tema ! rs'

Foco no lugar vazio da mesa. A pessoa que não veio. Pior ainda: a que não existe. É ali que fico, sempre, apaixonada, doendo, esperando.Eu funciono assim, não sei se você já percebeu.O mundo todo que não tem você é ainda mais você. Sempre me apaixono depois que acaba a paixão. Sempre namoro quando acaba o namoro. Só assim sei amar .Só porque agora você se foi, é que sinto que você chegou de verdade. E assim namoramos tão bem e sou tão agradável. E é com você que vou até a esquina e o fim do mundo, porque posso tudo agora. Agora que não posso nada. Daqui vejo milhares de pessoas e boas intenções e motivos pra ser feliz. Mas onde eu estou? Adivinhe? Estou em casa, sozinha, como se não houvesse nada. Como se tudo isso fosse cruel justamente por ser bom. Então, quero ir embora. Ir embora pra chegar logo. Porque enquanto estou é insuportável, mas depois, quieta, deitada, o mundo inteiro se encaixa aos poucos até eu pegar no sono e sentir a matéria de estar viva.É sempre na falta que vivo. É sempre em cima da altura que não tenho que olho o mundo. E das coisas que eu não sei que falo melhor. E dos sentimentos que eu não poderia sentir que me abasteço pra ser alguma coisa além do que me faz mais uma. E da incapacidade de ser mais uma que me agarro, pra poder participar de algo e esquecer como é maluco tudo isso. É na alegria extremada que sinto o tamanho do sofrimento que posso aturar. É a loucura que sai antes quando preciso rapidamente ser normal . É de onde não se pode estar que tenho saudades. É para o lugar do qual fugi que vou quando corro. É na falta que vivo. É te amando tão infinitamente que me liberto de gostar pelo menos um pouco de você. É do meu auge que caio feio.Você era tudo quando reclamava que eu andava estranha ao telefone, sem dar importância. Quando eu não parecia te ouvir, eu estava ouvindo suas milhares de vozes e tentando dar conta de gostar de tanta gente diferente que era gostar de você.Você merecia ser amado assim, do jeito que acaba pra começar. Ponto final é tanta continuação que vira três pontos finais. Consigo ser vista de verdade só quando as pernas e todo o resto que me move imploram para eu desaparecer . Tati Bernardi

quinta-feira, 7 de maio de 2009

aaaaFFF !

Doenteee ;X
traabalhando e trabalhando mais ainda minha mente ante Diigo .
Laah disse que pareei maais . rs'
tô sentiindo dor genteeem .
leendo Tati Bernardii e Crepusculo precisamente Eclipse .
laragadaa na viida e de coração .
eu consiigo ... ;D

Serralheria

Eu sabia que isso mais cedo ou mais tarde viria. Vem sempre depois do tô ótima, melhor que nunca. Vem sempre depois do tô aliviada, melhor assim. E então, quando abafa o grito alegre, abaixa o tudo de bom que sou, recolhe a corrida pelo nem é comigo, chega essa notícia insuportável me lembrando que ficamos pra trás. Deixar a dor vir é como receber o jornal de amanhã com notícias velhas. Essa vontade de ir até uma serralheria de bairro, com cortantes apodrecidos, e pedir: serra eu até eu ficar como ele quer? Serra eu? Tem como me fazer do tamanho que não afasta? Tem como me fazer na medida do que encaixa eternamente? Tem como me fazer sem isso dentro, essa coisa que é a única mas que eu, hoje, por causa dessa atração repentina pela anulação, ou sei lá o quê, não quero mais. Posso abrir mão disso que me mantém viva ou pelo menos me trouxe até aqui? Essa coisa mais forte que tudo e que me diz “se eu não obedecer, nem sobra força de amor pra amar, então que acabe”. Tem como tirar essa minha força motriz, ego desgraçado, sopro de mim mesma me empurrando, o que me fez não sucumbir, o que me nina ainda que seja uma babá malvada, o que me acolhe ainda que seja a bruxa mais terrível. Eu quero embarcar no trem fantasma, então me serra até meus medos e certezas virarem pó de construção. As minhas rebarbas que arranham, tem como refilar? Me faz uma bolinha pequena e lisinha, chuta a bolinha, queria ir parar debaixo da sua cama. Submissa eternamente a sua existência sem furos e passagens e bordas pra carregar. Tem como? Tem como eu me cortar inteira pra montar de um jeito que eu jamais me incomode com esse muito desenfreado que você sente pra de repente não sentir mais nada, nem dúvida? Tem como assoviar e andar feliz mesmo sabendo que você corre antes de esgotar, porque tem pouco aí dentro? Ué, mas não era muito mais que tudo? É infinito ou tão pouquinho que você usa tudo de uma vez pra parecer alguém especial? Tem como sobreviver vendo um espelho tão escancarado e que ao mesmo tempo me deforma? Tem como me fazer nascer de novo, de um jeito que eu só queira você e não o que eu sonho com você? Porque agora, de longe, parece tão fácil. Agora, de longe, se desse, pra te ter por minutos, nossa, eu seria tão feliz. Mas semana passada, gritava dentro de mim, se não fosse pra sempre, se não fossem mil minutos, se não fossem os meus minutos, que eu focasse então em tudo de ruim pra me livrar logo do pouco que ofende ou do egoísmo que bate de frente. Compartilho com você, e nem sei como amadureci tão rápido, da certeza da impossibilidade. Mas sinto sozinha o quanto isso me faz amar você ainda mais. Porque se desse, se eu pudesse, se desse mesmo pra te amar, seria amor e ponto final. Não seria essa coisa que a gente, mais uma e pela última vez compartilhando algo, achamos que é amor. Se existisse no mundo, com suas regras terríveis, uma brecha pra roubar no jogo, se existisse um único vão por onde se escapa do óbvio, se desse mesmo pra passar correndo atrás de Deus e pular no abismo do que queremos porque queremos. Eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você. Eu só não consigo, vejam como essa vida é mesmo uma coisa de deixar qualquer um louco, eu só não consigo escolher você da maneira mais fácil e particular, que é tendo você. Que é sendo você. Mas se eu virar, se eu virasse, esse pó de serra, se eu virasse argila, se eu pudesse ser esculpida por você, o que você faria de mim? Eu queria, eu queria triturar o que sou pra ficar quieta e olhar você. Eu queria calar ou matar essa coisa toda que sou e diz disso sem parar, pra só te ver ou ser pra você. Mas se você soubesse, como foi duro, resgatar tudo e colar ao meu modo, nesses mil anos, pra agora, assim, sem eu nem saber, me assoprar por você. Entende? Porque eu te juro, de todas as coisas do mundo, eu só queria olhar pra você. Ainda que andar cega me deixe daquele jeito e ainda que você jamais vá guiar alguém na escuridão. Seu medo de andar no escuro ou ser necessário. E então vem a merda toda. Eu preciso correr pra ficar em pé, e então corro, e corro, e de pé estou. E de pé, agora, olhando tudo. Também não era isso.
Tati Bernardi

Paixão não dá jeitinho brasileiro.

"(...) Agora quero saber porque raios é na paixão que fiquei. Porque se fosse amor, se eu amasse você realmente, eu poderia te dar qualquer coisa que já seria amor. Porque amor é cada pedacinho sem ser, por isso, menos amor. Só a paixão exige o mundo todo dessa forma tão indecente. E então o sopro chega e me explica. Paixão é uma doença que se pega. Dá febre, dor no peito, taquicardia, insanidade. Se você tiver a sorte de sentir isso por alguém capaz de lhe dar as mãos pra atravessar a lama, você se cura e pode amar. Se ele for capaz de dormir ao seu lado enquanto você sente tudo doer e a fome que te abandona. Se ele puder sentir junto ou ao menos te deixar ver que é assim mesmo para os dois. O peso dissipa um pouco e vai mais rápido. Mas se você conhecer alguém que tenha, no fundo da alma, um prazer cruel em dizer que sua loucura é problema seu. Sinto muito. É o sopro que me diz. Sinto muito. O sopro me diz que deixar alguém apaixonado é uma crueldade bonita. O sopro me diz que não cuidar do doente é uma crueldade feia. O sopro me diz que ter medo do apaixonado é ter medo, sobretudo, que o apaixonado se cure. E eu digo que chega, já entendi tudo. Chega sopro, agora me deixe quieta aqui, esperando isso tudo sair do meu sangue e já saiu mais do que eu imaginava.Como um vírus eu te expulso a cada segundo de mim. Não é exatamente com água e repouso, mas com um maravilhoso descanso da sua existência. Daqui a pouco não sobra nada e então poderemos ter uma linda amizade cheia de jantares e concertos e confidências. Pena que você não vai querer. O sopro me diz. Ele sabe, querida, ele sabe que você nunca será mais uma daquelas mulheres sem nome, com quem ele janta ou come, pra sentir de dentro da redoma de vidro um sol artificial. "