quinta-feira, 7 de maio de 2009

Paixão não dá jeitinho brasileiro.

"(...) Agora quero saber porque raios é na paixão que fiquei. Porque se fosse amor, se eu amasse você realmente, eu poderia te dar qualquer coisa que já seria amor. Porque amor é cada pedacinho sem ser, por isso, menos amor. Só a paixão exige o mundo todo dessa forma tão indecente. E então o sopro chega e me explica. Paixão é uma doença que se pega. Dá febre, dor no peito, taquicardia, insanidade. Se você tiver a sorte de sentir isso por alguém capaz de lhe dar as mãos pra atravessar a lama, você se cura e pode amar. Se ele for capaz de dormir ao seu lado enquanto você sente tudo doer e a fome que te abandona. Se ele puder sentir junto ou ao menos te deixar ver que é assim mesmo para os dois. O peso dissipa um pouco e vai mais rápido. Mas se você conhecer alguém que tenha, no fundo da alma, um prazer cruel em dizer que sua loucura é problema seu. Sinto muito. É o sopro que me diz. Sinto muito. O sopro me diz que deixar alguém apaixonado é uma crueldade bonita. O sopro me diz que não cuidar do doente é uma crueldade feia. O sopro me diz que ter medo do apaixonado é ter medo, sobretudo, que o apaixonado se cure. E eu digo que chega, já entendi tudo. Chega sopro, agora me deixe quieta aqui, esperando isso tudo sair do meu sangue e já saiu mais do que eu imaginava.Como um vírus eu te expulso a cada segundo de mim. Não é exatamente com água e repouso, mas com um maravilhoso descanso da sua existência. Daqui a pouco não sobra nada e então poderemos ter uma linda amizade cheia de jantares e concertos e confidências. Pena que você não vai querer. O sopro me diz. Ele sabe, querida, ele sabe que você nunca será mais uma daquelas mulheres sem nome, com quem ele janta ou come, pra sentir de dentro da redoma de vidro um sol artificial. "

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